Estratégia de dados requer propósito e estrutura

maio 9, 2019

Uma vez vi algumas pessoas com uma camiseta que dizia “dados são o novo petróleo”. Da saúde às telecomunicações, não há dúvidas, os dados são importantes para diferentes setores da economia. Afinal, para sobreviver ou competir, é preciso ser ‘data oriented’ de alguma forma.

Pensando nisso, Steve Lohr, um antigo repórter de tecnologia do The New York Times e autor do livro “Data-ism: a revolução transformando a tomada de decisões, o comportamento do consumidor e quase todo o resto”, criou o termo ‘data-ism’ para verbalizar que existe uma forma de analisar todos os tipos de dados gerados, desde o histórico de um browser de navegação até os de geolocalização, e reforçar que esses algorítimos são poderosos, pois eles podem orientar a forma como as decisões deveriam ser (ou serão) tomadas. Um exemplo disso é a explosão do machine learning e inteligência artificial, que tanto falamos.

Por isso, não há dúvidas que os dados são o combustível de uma organização e fator importante para a transformação digital. No entanto, eles precisam ser enxergados como estratégicos para a área de negócios. Uma pesquisa recente da Mckinsey mostra que 75% da receita típica das empresas vem de produtos/serviços que elas oferecem; embora 30% delas optem por não otimizar esses preços, com big data esse cenário está mudando. A companhia acredita que a diferenciação na estratégia e otimização dos preços usando analytics está se tornando mais palpável para as organizações – o que faz aumentar o potencial de receita.

Embora avançado, o big data ainda precisa alcançar um nível de maturidade no setor corporativo. É preciso, por exemplo, melhorar a análise de consumidores na internet e gerar serviços mais personalizados e focados no cliente; usar as ‘tecnologias de ponta’ que empresas como Google e Facebook utilizam para otimizar as indústrias de agricultura, energia, saúde, entre outras – e esse é um dos pontos que o autor defende como ‘a revolução dos dados no futuro’. Então, a pregunta é: como iniciar a revolução dos dados, extraindo informações estratégicas de ferramentas existentes, que podem potencializar os negócios?

Uma organização precisa ter um plano abrangente para coletar e administrar bem os dados. Dentro desse processo é preciso ter propósito e estratégia. Isso começa na mentalidade de quem coleta os dados. E, do lado da gestão, que usará os dados para tomar decisões de negócios mais direcionadas e assertivas com base nessas informações, é preciso planejar e ter estrutura.

Para começar, a organização precisa aculturar todos os envolvidos – dos departamentos aos usuários diretos - mostrando a importância dos dados para o sucesso da empresa. Também é preciso contar com ferramentas internas capazes de coletar, analisar dados dos clientes internos e externos para otimizar os serviços oferecidos, e examinar os ‘sentimentos dos clientes’. Por isso, quando o big data está incluído nessa estratégia, a experiência dos negócios pode ser transformada, no entanto, a coleta de dados precisa fazer sentido.

Uma das maneiras de fazer isso é por meio do uso de um software de CRM (Customer Relationship Management) que apoie a gestão e o relacionamento com clientes. O portal de notícias da Colômbia, El Tiempo, é um bom exemplo. Com o desafio de aumentar sua audiência, adotou uma ferramenta de CRM para, a partir dos dados gerados pelos seus usuários, ter a visão completa da jornada deles. O resultado? aumento de 20% nas vendas por causa de contatos mais assertivos; o índice de contatos positivos passou de 45% para 78%, o que permitiu ao portal investir em campanhas mais assertivas para os seus usuários. Esse tipo de aplicação prova que a interpretação de dados apoia as empresas estrategicamente, por conter informações capazes de otimizar e personalizar as interações, tornando-as mais assertivas.

E, na era de usuários ‘móveis’, as aplicações de CRM ajudam a acompanhar a jornada do usuário, a manter a qualidade dos dados sem perder de vista informações importantes e úteis para os negócios. No entanto, da mesma forma que organizar algo – seja em casa ou no trabalho – exige paciência, lidar com dados também. As mudanças devem ser gradativas, e não do dia para a noite. Assim, a gestão do tempo e das atividades que envolvem dados devem ser incluídas dentro da rotina diária, caso contrário, será apenas mais uma tarefa desanimadora.

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