Veículos autônomos: a chave da logística de entrega

novembro 25, 2019

A Kroger, uma das maiores e tradicionais redes de supermercados dos Estados Unidos, anunciou recentemente que vai experimentar o modelo de veículos autônomos em uma de suas unidades para iniciar os serviços de entregas deliveres. Essa iniciativa está alinhada com o radar de inovações do Gartner. Segundo a consultoria, tecnologias de AI estarão virtualmente em todos os lugares e, no caso da condução autônoma, será uma das tendências para os próximos anos, sendo que 10% dos novos carros de todo o mundo terão capacidade de condução independente, em comparação com menos de 1% de 2017. Se concentrarmos as atenções no Varejo, esse movimento pode transformar o que chamamos de “última milha”, que é o último passo no processo de entrega de produtos no destino final, ou seja, no cliente.

A entrega de mercadorias em domicílio é uma enorme dor de cabeça para Comércio, porque além de cara, cria uma série de desafios para a logística das áreas urbanas, já saturadas com o aumento da carga de transporte nas grandes cidades. De acordo com a Confederação Nacional do Transporte (CNT), a urbanização acelerada no Brasil trouxe a complexidade para o abastecimento dos grandes centros onde vive 84% da população brasileira e circulam 96,7 milhões de veículos.

É uma relação caótica e que exige do Varejo olhar com atenção para o movimento em torno da condução autônoma, que é uma tendência-chave para a logística de entrega. Os veículos autônomos oferecem vantagens de otimização de controle de estoque, além de reduzirem os custos com transporte e o preço final dos produtos. No entanto, apesar dos benefícios, as empresas do setor precisam ter conhecimento de três pontos críticos do processo de implementação da tecnologia.

O primeiro deles é que os Governos locais precisam fazer a lição de casa e investir em infraestrutura para permitir a entrega autônoma. No mundo, temos casos de estratégias bem sucedidas que podem servir de exemplos. A cidade de São Francisco, na Califórnia, se esforçou para redesenhar sua infraestrutura logística para receber veículos autônomos na Lombard Street. Na Europa, os países que fazem parte do bloco estão empenhados em assegurar regras comuns entre eles e, recentemente, o Parlamento Europeu apresentou uma proposta de incentivos de condução autônoma e a estimativa é que em 2030 a região alcance o nível 5 (máximo) de automação, aquele que não tem nenhuma interferência humana. Para efeitos de comparação, o Brasil está estagnado no nível 1, que contempla apenas controle de aceleração e de velocidade e estamos nas últimas posições de um ranking, realizado pela consultoria KPMG, de países aptos para adoção de carros autônomos. Para avançarmos, precisamos se guiar pelos melhores exemplos para melhorias de infraestrutura e ficar atentos com outro ponto.

Os endereços físicos tornam-se ainda menos relevantes nesse cenário. Quantas vezes você precisou de um serviço ou item e não pode recebê-lo porque não estava na sua residência? Várias, não é? Pois essa dificuldade tende a diminuir conforme cresce a utilização de drones para entrega via localização GPS. A Domino’s, uma das maiores redes de entregas de pizza do mundo, e Amazon, que criou um serviço de entrega de qualquer produto em apenas 30 minutos via veículo autônomo, são empresas que se destacam nesse novo contexto. Entregar o que você quer onde você está vai diminuir uma das dores de cabeça do comércio.

A logística reversa no Comércio é um grande desafio para as empresa do segmento e as taxas de retorno de produtos impactam diretamente as finanças das redes varejistas. Além de prejudicar a experiência dos consumidores, também afetam o faturamento das empresas. É o que revela a pesquisa Políticas de logística, encomendada pelo Conselho de Logística Reversa do Brasil (CLRB). O levantamento mostra que retorno dos produtos custa 5% das receitas das organizações.

Para reduzir esse gargalo, os veículos autônomos podem ser uteis para a entrega e para aceitar retorno. Possivelmente, até mesmo fazer trocas. Poderiam, inclusive, portar máquinas de vendas automáticas. Os avanços significativos de AI vão colocam o produto onde está a demanda!

O mundo está caminhando para maior autonomia e os atritos entre empresas e consumidores tende a reduzir progressivamente. E fundamental que as lideranças envolvidas nesse processo estejam preparadas para esta nova configuração de carros e funções e seus impactos na vida das pessoas e cidades.

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